domingo, 10 de janeiro de 2010

Rober Schumann - Os Concertos para instrumento solista e Orquestra

Robert Schumann compôs três concertos para um instrumento solista e Orquestra. Um concerto para piano de que falamos quando da votação do nosso concerto de piano preferido, um concerto para violino (woo 23) que ficou durante muito tempo desconhecido e que está envolto em histórias rocambolescas que envolvem inclusivamente videntes e aparições do espírito do compositor (esta história fica para amanhã) e o Concerto para Violoncelo Op. 129 em Lá Menor composto em 1850 logo após Schumann ter sido nomeado Director Musical em Dusseldorf de que vos vamos falar hoje.

A obra nunca foi estreada durante a vida de Schumann e muito embora não tendo sessões espíritas pelo meio não deixa de ter uma história musical muito pouco ortodoxa após o falecimento do compositor. Uma grande parte do que vos vou contar de seguida é inspirado pela excelente análise do violoncelista filandês Anssi Karttunen. Este violoncelista escreveu este texto curiosamente motivado pelo convite para vir interpretar na Casa da Música do Porto uma versão deste concerto re-orquestrada por Schostakovich a pedido do grande violoncelista Rostropovich. Podem ler este texto em Inglês aqui (se tiver tempo talvez o traduza e nessa altura o link para a tradução ficará aqui :-) ).

Este facto leva-nos desde logo ao primeiro comentário que aliás já encontramos nos textos que escrevemos sobre as obras Orquestrais de Schumann. Segundo Anssi Karttunen (e eu tendo a concordar) existe um pré-concebido muito forte quanto às capacidades orquestrais de Schumann sendo que este pré-concebido nos leva muitas vezes a simplesmente ignorar a orquestração original sem lhe dar a devida atenção. O violoncelista finlandês aponta três razões para este pré-concebidos: Primeiro a maior dimensão das orquestras que poderá levar a um som menos claro que segundo este violoncelista contribui para esconder as subtilezas da orquestração de Schumann. Em segundo lugar o desrespeito pelos tempos indicados que tornam as variações baseadas na velocidade de execução imperceptíveis (fazendo assim por vezes parecer que existem repetições dispensáveis). Finalmente em terceiro lugar a utilização de rubatto (especialmente nos concertos) reforça o anterior problema.

Por outras palavras a música de Schumann apresenta características que são bastante pouco ortodoxas e que não se coadunando bem com os arquétipos correntes da música clássica levam muitas vezes os interpretes a procurar soluções convencionais que modificam sem verdadeira necessidade o que Schumann pretendia.

O Concerto apresenta-se numa forma aparentemente "clássica" em três andamentos . Dizemos numa forma aparentemente clássica dado que é óbvio pelas notas de Schumann que ele pretendia também nos concertos reformular a sua concepção dando-lhes uma maior unidade. Essa é uma das razões porque  que tal como na quarta sinfonia de que vos falamos ontem os três andamentos são tocados sem interrupção entre eles.

O concerto foi estreado no dia 23 de Abril de 1860 ou seja quase quatro anos após o falecimento do compositor. O solista foi Ludwig Ebert que interpretou a obra com a Großherzolighen Hofkapelle Oldenburg dirigida por Karl Franze.

Os três andamentos são:
  1. Não muito rápido (Lá Menor)
  2. Lentamente (Fá Maior)
  3. Muito Vivo (Lá Menor – Lá Maior)

Para vos ilustrar este concerto encontrei três grandes mestres do violoncelo em intepretações completas no You Tube. Em primeiro lugar Pablo Casals Pau Casals, com a Orquestra do Festival de Prades dirigida por Eugene Ormandy (uma gravação de 1953). Primeira Parte, Segunda Parte, Terceira Parte.

Depois Jacqueline Dupré (uma das professora do violoncelista finlandês de quem temos vindo a utilizar a análise), orquestra dirigida por Barenboim : Primeira Parte, Segunda Parte, Terceira Parte

E finalmente uma interpretação de Rostropovich com a Orquestra Nacional de França dirigida por Leonard Bernstein. Primeira Parte, Segunda Parte, Terceira Parte, Quarta Parte.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Robert Schumann - 4ª Sinfonia Op. 120 em Ré Menor

A quarta sinfonia de Schumann em realidade pela ordem de composição foi a segunda tendo sido composta em 1841 tendo sido inclusivamente interpretada em Dezembro desse mesmo ano em Leipzig. Porém a obra sofreu uma revisão profunda em 1851 razão pela qual Schumann sempre a considerou a sua quarta sinfonia apenas pensando ser válida a revisão que executou. Clara Schumann ela própria, provavelmente procurando defender a opinião do marido, também defendia a revisão indo até ao ponto de dizer que a primeira versão tinha apenas sido um esboço (o que manifestamente era falso como o demonstra a estreia que se verificou) mas também a publicação por Brahms (que preferia a primeira versão) desse primeiro suposto "esboço".

Na realidade a polémica não terminou nessa altura dado que muitos maestros preferem como Brahms a primeira versão sendo esta interpretada algumas vezes. A grande diferença para além da orquestração esta na estrutura da obra que Schumann na sua revisão tentou fazer mais "unificada",  mais continua. Passou assim de uma estrutura relativamente clássica em quatro andamentos da primeira versão para uma estrutura em cinco andamentos interpretados sempre em attaca (ou seja interrupção entre os mesmos) precisamente para criar uma sensação de unicidade.

Felizmente podemos ouvir as duas versões e tirar as conclusões por nós próprios. Assim para ouvirem a versão de 1851 (a que Karajan por exemplo intepretava sempre) podem ouvir no You Tube aqui:

Primeira parte, Segunda Parte, Terceira Parte (há também uma versão completa de Furtwangler para quem prefira).

A versão de 1841 podem-na ouvir em parte aqui numa interpretação da Filarmónica de Berlim conduzida por Simon Rattle. Se quiserem ouvir a interpretação toda como se estivessem em Berlim na altura podem fazer como eu e comprar o bilhete para ver o concerto online. Podem escolher ouvir o programa todo desse dia ou apenas esta sinfonia - neste ultimo caso são "apenas" €4 mas que em minha opinião valem a pena. Apontem nesse caso o vosso browser para aqui e sigam a instruções de registo e de compra.

Confesso-vos que estou a escrever este post e a ouvir esta versão da sinfonia e que estou a dar por muito bem empregues os meus €4. O problema vai ser agora resistir à tentação de ver outros que estão no arquivo ... Sim também dá para verem os concertos desta época (um concerto inteiro custa €9,90). Agora que já fiz o papel do diabo vou sair para outra música verde e branca ... esta época bastante desafinada :-)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Post nº 1000 : Os vossos comentários (Parte 4: Maio 2008)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Robert Schumann - 3ª Sinfonia Op. 97 em Mi Bemol Maior (Reniana ou "do reno")

Fazendo um intervalo na nossa celebração dos 1000 posts vamos hoje voltar às sinfonias de Schumann com a terceira (que pelo que já afirmamos anteriormente é na verdade a ultima já que a quarta foi composta anteriormente embora apenas publicada depois). Foi composta em 1850 e publicada um ano depois tendo sido estreada a 6 de Fevereiro de 1851 em Düsseldorf dirigida pelo próprio compositor.

Esta sinfonia é bastante original na forma sendo constituída por cinco andamentos sempre com o grande sentido melódico que Schumann sempre dominou completamente. O nome da sinfonia, "do Reno" ou Reniana (?) não foi atribuído pelo compositor embora derive de um seu comentário quando afirmou que esta teria sido inspirada pelo nobreza do rio Reno e das gentes da sua região. Aliás essa é uma outra característica que vale a pena salientar dado que o compositor procurou, ainda segundo as suas palavras "fazer uma obra popular".

Para ouvirmos esta obra escolhemos uma interpretação do grande maestro Toscanini.

Primeiro andamento ("Com Vida" - Mi bemol Maior) - aqui a segunda parte deste andamento
Segundo andamento (Scherzo: Sehr mäßig (Dó Maior)
Terceiro andamento ("Não rápido" (Lá bemol maior)
Quarto andamento (Solenemente (Mi bemol menor)
Quinto andamento ("Com vida" (Mi bemol maior)

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